quinta-feira, 10 de junho de 2010

Poça d’ água.


Aquele acúmulo d’água entre o meio-fio e o asfalto poderia representar mais um desperdício, dentre vários que os nossos olhos habituados a esses excessos não permitem mais os devidos registros de nossas retinas; em razão da pouca importância, agem como fossem juízes em despachos judiciais prolatando sentenças sobre autos de prisão de indivíduos que praticaram pequenos furtos e lavram suas sentenças invocando o princípio da irrelevância ou bagatela.

Era uma rua onde o tráfego era permitido apenas a veículos de pequeno porte, mas o destino sempre irresponsável induziu aquele motorista de ônibus clandestino a cometer uma infração com conseqüências que ultrapassariam as adstritas ao trânsito.

Quando freou foi sobre a fatídica poça d’água que tinha um volume substancial, o resultado foram jatos fortes de água que foram de encontro às revistas e jornais expostos naquela banca de jornal que ficava em frente ao bar que dera origem à formação daquele acúmulo de líquido aquoso.

Aquelas aspersões sobre as publicações causaram efeitos e significados opostos aos da liturgia católica, pois o jornaleiro possesso partiu para cima do dono do bar e desferiu uma quantidade de socos demoníacos e pontapés satânicos que o levaram ao nocaute e, por via de conseqüência ao estado comatoso.

Vizinhos foram chamar os parentes do dono do bar que tinham um salão de beleza próximo, ainda ouvindo os brados ensandecidos do jornaleiro: “Eu avisei! Pedi para desfazer essa maldita poça que se criou quando lavava o bar, seu desgraçado. Olha o meu prejuízo anunciado”.

Chegaram a esposa, a cunhada e o pai do dono do bar, um senhor avançado nos anos, e conseguiram apenas hematomas e escoriações diversas em seus corpos.

A confusão aumentou pela quantidade de outros partícipes (mulheres, adultos, idosos, crianças, amigos e conhecidos das partes em conflito) que deslocaram o eixo da briga para os muros da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) que acabaram desabando, acompanhando assim, os serviços prestados por essa empresa que foram desmoronando ao longo do tempo.

Um grande compositor e cantor brasileiro ao compor a canção “Gota d’água” chama atenção sobre os desdobramentos nefastos de uma mísera gota, imaginem uma poça d’água.

O desfecho foi diluvianamente dantesco: diversos boletins de ocorrências, com respectivos exames de corpo de delito, um cadáver perdulário pelo gasto excessivo de água e um assassino hidrofóbico que engrossa as estatísticas áridas dos procurados da Justiça.

Além do drama mencionado, na próxima pesquisa do IBGE ao tabularem os dados, os analistas verificarão um decréscimo na circulação e no consumo de riqueza na região, além de um declínio no número de empregos, pois, encerraram as portas o salão de beleza, o bar e a banca de jornal.

É ... o tema água tornou-se sinônimo de calamidade.

O mundo globalizado está vivenciando as seqüelas de um recém tsunami econômico; o Brasil superou a crise pois enfrentou uma marolinha, segundo o Presidente, e agora, por uma mísera poça d’água, Duque de Caxias – RJ, tem seu PIB fazendo água.

2 comentários:

  1. Fala Paulão!!!!
    Quanto tempo, não foi ao aniversário da Rosângela heim!!!! Por falar nisso dia 01/05 foi o seu, Parabéns superatrasado e, também, por falar nisso, dia 26/06 é aniversário do Gabriel. Tá escrevendo bastante, já está com 47 postagens. No final do próximo mês você terá 12 meses do blog.
    sds, Valdidr

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  2. Valdir,

    Obrigado pela estatística.
    Enviei um correio-eletrônico para você.
    Abraços

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