
A insensibilidade humana é a prova cabal de que a vida é uma causa perdida, que vem desde o início dos tempos, afinal faz parte da genética dos seres, ditos, humanos.
A confirmação da tese acima, é uma dívida imprescritível dos cientistas do mundo.
Os deserdados da sorte sempre foram proscritos, exterminados pela ação ou pela omissão das nações que exerceram o império econômico e militar, nas diversas épocas da existência da humanidade.
A fome, a miséria, as doenças graçam em parte do continente africano e o que o mundo faz? Nada.
Afinal, esses países não têm recursos econômicos para serem exauridos pela fome insaciável do lucro. Resultado: tornam-se invisíveis.
Os habitantes desses países não passam de rebotalhos humanos e assim são tratados e abandonados pelas nações e pelas mídias mundiais, à morte, não a imediata, mas aquela permeada pelo sofrimento lento e cruel.
Portanto, a falácia da solidariedade humana é conveniente, cômoda e confortadora para as consciências de todos.
Nem a inteireza de um território foi facultada ao Haiti. É uma fração de uma ilha.
Essa quebra de unidade é simbólica. Os habitantes são frações irredutíveis, pois, do contrário seriam destituídos totalmente dos vestígios pálidos de similaridade humana, afinal são negros e pobres.
Não sejamos hipócritas. O mundo é desgraçadamente preconceituoso.
O oceano de desprezo, de esquecimento do mundo, sempre açoitou os costados desse território, perpetuando as crueldades de um tempo pretérito, onde os costados dos negros escravos importados eram vergados pelos açoites do poder econômico, após, o extermínio dos nativos.
A desfaçatez sem limites das nações mais ricas do mundo chegou à sordidez de explorar a miséria humana sob o viés de ações humanitárias, como as verificadas agora, entretanto, o leitmotiv (motivo condutor) é impedir que suas posições no mundo capitalista sejam fragilizadas em relações as demais.
O comportamento econômico é extremamente complexo e a diferenciação entre a verdade e a conveniência, assemelha-se ao movimento das placas tectônicas que variam no deslocamento e na intensidade da energia potencial liberada.
Existe uma música, acho do Caetano Veloso, Haiti. Em certa parte, diz: chore pelo Haiti....
Complemento: chore pelo Haiti, por você, por nós, pois, nossas atitudes não dignificam a humanidade, ou pior, talvez, ratifiquem a natureza humana.
E sendo essa última verdadeira, muitos devem respostas, começando por Deus e, terminando com o Diabo..

