sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Incitatus

O imperador romano Calígula, segundo biografia do escritor Suetônio, colocou seu cavalo predileto, Incitatus, no rol dos senadores romanos, e conjecturou fazer dele cônsul (magistrado supremo).
Gozava do privilégio de dormir com mantas púrpuras, cor destinada somente aos trajes reais, e era enfeitado com um colar de pedras preciosas.
Incitatus tinha um numero expressivo de criados pessoais, que somavam 18 (dezoito).
Antes disso, havia nomeado o mesmo cavalo como sacerdote, designando uma guarda pretoriana para tomar conta de seu sono.
A ideia  de Calígula era humilhar o Senado romano mostrando que, se podia nomear um cavalo sacerdote e senador, podia fazer qualquer coisa.
Feito o introito, adrentemos no principal, avaliando o Senado da nossa República.
Constatamos  que o mundo mudou muito, e para pior.
Nós, os eleitores, não passamos de cavalgaduras, que suportamos o peso, através dos impostos e da falta de representatividade, dos 81 senadores. Não confundam com os 18 criados de Incitatus, por favor!
E, por gentileza, não entrem no terreno perigoso da galhofa, ao usarem o termo “senador” no sentido figurado, conforme dicionário:
-“RS Fig. Cavalo muito idoso”.
A atual crise que os senadores, de forma ardilosa, atribuem ao Senado, sabem que lhe são autores e responsáveis. Quando fazem, atribuindo à Instituição, as vilezas essencialmente humanas, praticadas por muito deles, rotulam-nos como estúpidos, sem capacidade de discernimento ou, melhor dizendo, como umas bestas quadradas.
Essencialmente, o que fazem “Suas Excelências”?
Simples: - profanam as tribunas, com discursos aparentemente vazios, entretanto eivados de mensagens subliminares, que permeiam a coação, a chantagem, a extorsão aos demais poderes, com o único e sórdido fito de se locupletarem com os recursos advindos da miséria do povo brasileiro.
Lamento Excelências! O profissionalismo, em qualquer empresa, é  fator preponderante para a manutenção do emprego, e a desídia de suas condutas, caso estivessem no setor privado, não tenham o menor resquício de dúvida, estaria aumentando a estatística dos desempregados desse país.
Não sou nefelibata e sei que essas inquietações não fazem parte das preocupações de Vossas Excelências, pois a maioria esmagadora desse país é de deserdados da sorte, sem esclarecimentos. Não leem por serem analfabetos, e os alfabetizados não o fazem por falta absoluta de recursos, graças às vossas posturas, em grande parte.
As razões para esses descasos não são difíceis de serem deduzidas, pois nós, eleitores, somos cavalos mancos, com a pata quebrada, e todos sabem que animais assim são sacrificados, mortos, por inexistência de cura. E a nossa morte metafórica é o esquecimento das tamanhas indignidades, infâmias, que provocam a reeleição repugnante de Vossas Excelências.
Esse quadrúpede que escreve tem uma certeza pétrea:
- o imperador Calígula não era um louco, como a história o retrata e, sim, um sábio. O Incitatus não custava tanto, aos cofres do Império, quanto à quantia vultosa que é dispendida com cada um dos senadores de nossa República.
Nessa observação acima não vai nenhuma ofensa à Vossas Excelências. Não interpretem, de forma errônea, o parágrafo anterior! Não os comparo ao cavalo Incitatus, nem é de meu feitio ferir as normas de civilidade ou da natureza. Afinal, as animálias somos nós, os eleitores. Não atribuo à Vossas Excelências, tampouco, a condição de cavalariços e, sim, de cavaleiros. Contudo, jamais receberão de mim a qualificação de cavalheiros.
Nota:
– como padeço de masoquismo, assisto à tv Senado. Permitam-me aduzir que, apesar de não ferirem o regulamento nem o decoro parlamentar, os apartes constantes dos celulares, quando V. Excelências ocupam as tribunas, ferem os princípios da civilidade e da boa educação. Desligue-os

terça-feira, 27 de junho de 2017

A morte, o tempo e deus.


 O quadro era completamente desolador. Esquálida pelo avanço, inexorável, daquela doença insidiosa que concorria, somente, com marcha do tempo e acompanhada de uma dor lancinante, exclusiva dela, não do tempo, esse é insensível por natureza, e muito menos de deus, afinal, esse é pérfido, desleal e traiçoeiro.

À medida que as dores aumentavam, as suas súplicas pela presença da morte eram ouvidas na mesma intensidade.

A morte por se sentir desejada fazia-se de difícil, de rogada, afinal, jamais aceitara qualquer pedido em sua suposta eterna existência, não era vulgar.

E deus assistia tudo com um sorriso de escárnio.

Sim. Com sua atitude típica, inata, qual seja, ostensivamente de desdém, de menosprezo para com tudo e para com outros.

A duração de nossos destinos depende, exclusivamente, dela, a morte, mas com a anuência irrestrita dele, deus. O tempo nessa quadra é solenemente desprezado, ignorado.

Portanto, a variação de seus humores (morte e deus) que determinarão como será a intensidade do flagelo, ou não, na passagem.

Nos seus estados de alegria levam suas vítimas, sorrateiramente, sem sofrimento e instantaneamente, entretanto, quando da fase de péssimo humor, produto de suas iniquidades, martirizam lentamente os corpos escolhidos, dando vazão integral as suas índoles sádicas.

Confesso que pode não ser uma grande coisa, mas já é um alento, saber que a desgraçada (a morte) e o indigente miserável (deus) sofrem de transtornos bipolares, tendo mudanças cíclicas de humor e que esses episódios serão imutáveis, ad eternum.

O diabo é que as consequências de suas doenças, rigorosamente iguais recaem sobre nós provocando um prejuízo irrecuperável, a perda de nossas vidas, invariavelmente, pelas vias de sofrimentos inomináveis.

Entretanto, os desequilíbrios nos seus humores aniquilam eternamente os seus estados de ânimos e seus bem-estares.

Ah! Isso me causa um prazer indescritível, pois, as sua ações malévolas não serão nunca mais completas, serão sempre privadas do orgasmo pleno quando dos seus atos e desejos de necrofilias.

Essa maldita transferência das consequências de suas doenças resvalam nos limites da desconsideração e da inexistência de comportamento ético para conosco.

O meu prazer, relatado em linhas acima, pode ser interpretado como insignificante frente à magnitude das forças da morte e de deus, mas insisto, pode até ser irrelevante, mas, data vênia, a satisfação é minha e, portanto me basta.

No final, o tempo que passou quase despercebido no texto (não motivado pelo autor, e sim, por deus) será assassinado com requintes de crueldades por deus, afinal, para ser eterno, o tempo tem que inexistir.

A morte tornando-se inútil pela inexistência de seres viventes no final dos tempos será descartada, também, por deus.

Sozinho, a princípio, deus vagará pelo universo de forma anônima e sendo desprezado pelos corpos celestiais.

Em tese, deus continuaria todo poderoso, onipotente, onisciente e onipresente, mas pela sua soberba por frações de segundos do tempo cronológico da Terra, caiu na tentação de sentir-se humano, produto defeituoso, nefasto de sua criação, e aí assumiu um corpo acometido do mal de Alzheimer em grau avançado.

Resultado, não sabia mais quem era e não havia ninguém para responder a sua  indagação: “Você sabe com quem está falando”.

Perdido, a demência instalou na sua mente e impossibilitado de retornar a sua identidade de Criador deixou, portanto, de usufruir as ditas prerrogativas da divindade, tornando-se mortal e terminou seus dias sofrendo dores excruciantes.  

O seu fim provocou-me um imenso regalo (vivo prazer), afinal, o TUDO, segundo seus seguidores, transformou-se em NADA. 

domingo, 18 de junho de 2017

Anão.

Era anão. O vocábulo “herança” causava um sentimento contraditório que variava da tolerância à revolta. A herança genética advinda de sua árvore genealógica gerou aquele fruto de tamanho diminuto, ele. E olha que seu pai era um alemão de 2,03 m de comprimento e sua mãe, uma baiana arretada com seu 1,83 metros de estatura, e ele, filho único, amargava 1,01 m de altura.

Quanto à herança que provoca desunião e até mortes entre os herdeiros, nada a reclamar, era imensa.

De uma cultura erudita espantosa, avançava na cultura popular com o mesmo desvelo do que na outra.

Era um boêmio inveterado que não fazia distinção de classes e a sua atitude fez renascer um dito dos pobres baianos, de mais de 180 anos, que quase havia se perdido no tempo: “rico sem aviamento” (era o rico que tinha empáfia, ar de superioridade e verdadeira repugnância aos pobres).

Ele, não. Era o “rico com aviamento”. Não admitia o tratamento de doutor em função de sua profissão. Exigia o mesmo tratamento usual entre aqueles iguais na desigualdade.

Médico de renome nacional e internacional participava de todos os Congressos internacionais de sua especialidade, enfim, exercia a profissão sempre no estado da arte.

Por generosidade e sem remuneração dava plantões nos hospitais públicos que padecem no Brasil de uma doença terminal: a inexistência de recursos para tudo (manutenção, compra de equipamentos, de miseras gazes a algodão, etc.) pelo descaso e, principalmente, pela roubalheira dos homens públicos desse país.

Das experiências amargas vivenciadas na rede pública, e que foram imensas, a de maior amargor foi quanto teve que escolher quem deveria sobreviver e quem morreria entre dois seres humanos, em função de falta de sala de operação/equipes e leito no CTI.

Situação vista como normal pela mídia que enfatiza que os médicos são obrigados a brincarem de Deus.

Que país desgraçado é esse onde os deserdados da sorte tem seu destino colocado nas mãos de quem jurou  salvar vidas – vide juramento de Hipócrates; são na realidade hipócritas criminosos, coniventes com o descaso dos homens públicos e assassinos em estado latente.

Aquela decisão (vida/morte), desgraçadamente corriqueira para os colegas de trabalho, foi única e marcou o início de seu fim.

Nas noites insones, pensando na sua decisão, a depressão crônica não alcançou as quatro fases da lua.

Sentia-se um criminoso hediondo, afinal seu crime (assassinato) era doloso, definido nas cóleras das leis, quando o agente tem a intenção de matar.

Nos últimos momentos em que suas faculdades mentais estavam em frangalhos, avaliando a vida como todo, concluiu: “a lucidez é o lado obscuro da insanidade”.

Hoje, no manicômio, diz-se Polifemo, o gigante de um único olho no centro da testa, mas vigilante, da mitologia grega, descrito pelo velho bardo grego, Homero, no nono livro de sua Odisseia.


Leiam a Odisseia de Ulisses e descubram que não passam de NINGUÉM.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O sorriso bastardo de Deus

O sorriso é a expressão facial em que os lábios se distendem para os lados e os cantos da boca se elevam ligeiramente, e quando provocados por humanidade expressa, apenas e tão somente, alegria, amabilidade, aprovação, contentamento, mas quando é escarnecedor, de desdém, de desprezo, de frieza, distinguido pelo opróbrio que revela o alto grau de baixeza, de torpeza, de abjeção, de degradação, esse é de Deus.

O quadro de minha Mara é completamente desolador.

Esquálida no corpo e em ruínas na edificação psicológica, em razão do avanço inexorável dessa doença insidiosa que concorre, somente, com a marcha do tempo e acompanhada de dores lancinantes, exclusivas dela, não do tempo, esse é insensível por natureza, por ser a mão direita de Deus.

À medida que suas dores aumentam as suas súplicas ingênuas pedem na mesma intensidade pela sua presença redentora para minimizar seus sofrimentos excruciantes, Deus. Eu odeio.

Você não passa de um crápula que escuta aqueles pedidos desesperados, e simplesmente mantêm-se indiferente, afinal o sadismo é a essência de seu espírito.  

Não me cabe dúvidas quanto a sua falta de integridade, da sua capacidade de macular, desonrar, a dignidade humana.

Esses são os seus mistérios. Os crédulos, coitados, imaginam sacralizados.

A duração de nossos destinos e dos danos em nossos corpos depende exclusivamente daquele tipo de sorriso e, a variação dele, determinará como será a intensidade do flagelo, ou não, na passagem. E o de minha Mara é de uma tortura inominável, em decorrência de um sorriso frio e macabro.

Você pode ser um enigma a ser decifrado ou um ponto de interrogação, apenas para esses seres humanos portadores de idiotia ou de incapacidade de pensar.

Essa corja ignara representa o seu exército. Um grupo de maltrapilhos e estropiados mentais. Esses seus seguidores são seus dignos representantes e fazem, portanto, jus a você, seu desqualificado.

Ah! Essa constatação é o meu maior prazer, o meu maior deleite.

Essa maldita aflição de minha Mara, consequência de sua moléstia, aliás, todas as enfermidades de maior ou menor potencial de danos foram disseminadas pelo seu livre arbítrio que resvala nos limites de seu ultraje, mas essa sua perversão será o seu martírio na perpetuação de sua imortalidade.

No final dos tempos você terá tempo para verificar a sua sordidez e terá apenas a companhia do vazio galáctico e como um vagabundo desqualificado acabará vagando eternamente com sua mente preenchida pela insânia, mero produto de sua perversidade nas vidas de seus dessemelhantes.

Que satisfação! Que gozo antecipado tenho.

E não tente mudar seu destino. Não adianta caminhar à busca dos cemitérios, na procura de um refúgio para as suas indignidades, pois a paz reinante encontrada existe pela impossibilidade daqueles moradores exprimirem suas opiniões, seus protestos, seus insultos à sua figura repugnante, nauseabunda, nojenta, asquerosa.

Lamento pela condenação de todos os corpos celestes que gravitam no espaço a conviverem coercitivamente com sua presença, contudo, é um preço desprezível comparado com os nossos.