A vida sofre de uma patologia
crônica, a do sadismo, e a exerce com requintes exacerbados.
Permite aos seres humanos a
utopia dos desejos, dos sonhos, da luta insana pela sobrevivência para adquirir
contentamentos, entretanto, tudo é em vão, tudo é fugaz, pois a vida mutila,
destrói, subtrai, oferecendo apenas um pesadelo quase sempre ininterrupto.
Farsante é a vida. Faculta
momentos efêmeros de felicidades que iludem os indivíduos levando-os ao
equívoco de que a mesma deve ser vivida.
Mesmo que o único caminho seja a
certeza irrestrita da mortalidade, a vida nos conduz a outros atalhos
utilizando-se de sua magia e de sua perversidade inimaginável.
Em momentos temporais distintos
do ciclo de vida de todos os seres viventes ela se faz presente, com seus
instintos primitivos de insensibilidade, de avareza sórdida, mediante o
surgimento de doenças de várias espécies e de gradações diversas de
malignidade. É uma ignomínia.
A vida é injustificável, ou
melhor, contextualizando, uma causa perdida, sobre qualquer perspectiva.
A purgação de possíveis erros
cometidos sob a ótica religiosa para o sofrimento não tem fundamentação lógica.
As idiossincrasias que
representam a maneira de ver, sentir, reagir, própria de cada pessoa
representam na realidade, um tributo elevadíssimo, pago de forma extorsiva e
compulsória, mediante traumas adquiridos pelos fracassos fabricados, pelas
frustrações impostas, etc.
Esses sofrimentos vividos servem
para redimir quaisquer desacertos cometidos não cabendo nenhuma parcela
adicional de aflição, de amargura, provocados por doenças, bastando às mazelas
mencionadas para atender qualquer transgressão de preceito religioso para
aqueles que acatam essa tese.
Aos agnósticos e aos ateus esse
vale de dor é um ônus sem racionalidade, sem propósito, posto que a
religiosidade não é contemplada em suas existências, portanto, se sentem
duplamente lesados pela perfídia da vida.
É ultraje!
Mas a sordidez da vida é
irrefreável, irrestrita, irreparável.
Honestamente, reitero, não cabe
espaço para a vileza da vida em acrescentar aos sofrimentos aludidos, doenças
de qualquer natureza.
Aqueles que afirmam que a vida é
bela ou são demagogos senis, ou portadores de uma deficiência psíquica em razão
da ausência total de bom senso, ou acéfalos.
Saturado de conviver com a
perversidade da vida não alimentarei mais seu desvio de caráter que se deleita
em fazer sofrer a todos de forma tirânica. Parto, deixando à vida o meu eterno
desprezo.
Não sejam descrentes,
transcorridos trinta segundos após a conclusão desse ato tenham a convicção que
ela, a vida, irá aumentar o seu sadismo na cota de vocês, pois por ser de
natureza insaciável não suportará a minha ausência.
Desejo a todas, forças para
suportarem seus sofrimentos específicos e a parcela adicional de meu infortúnio.

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