domingo, 20 de abril de 2014

Isso é vida?

A vida sofre de uma patologia crônica, a do sadismo, e a exerce com requintes exacerbados.

Permite aos seres humanos a utopia dos desejos, dos sonhos, da luta insana pela sobrevivência para adquirir contentamentos, entretanto, tudo é em vão, tudo é fugaz, pois a vida mutila, destrói, subtrai, oferecendo apenas um pesadelo quase sempre ininterrupto.

Farsante é a vida. Faculta momentos efêmeros de felicidades que iludem os indivíduos levando-os ao equívoco de que a mesma deve ser vivida.

Mesmo que o único caminho seja a certeza irrestrita da mortalidade, a vida nos conduz a outros atalhos utilizando-se de sua magia e de sua perversidade inimaginável.

Em momentos temporais distintos do ciclo de vida de todos os seres viventes ela se faz presente, com seus instintos primitivos de insensibilidade, de avareza sórdida, mediante o surgimento de doenças de várias espécies e de gradações diversas de malignidade. É uma ignomínia.

A vida é injustificável, ou melhor, contextualizando, uma causa perdida, sobre qualquer perspectiva.

A purgação de possíveis erros cometidos sob a ótica religiosa para o sofrimento não tem fundamentação lógica.

As idiossincrasias que representam a maneira de ver, sentir, reagir, própria de cada pessoa representam na realidade, um tributo elevadíssimo, pago de forma extorsiva e compulsória, mediante traumas adquiridos pelos fracassos fabricados, pelas frustrações impostas, etc.

Esses sofrimentos vividos servem para redimir quaisquer desacertos cometidos não cabendo nenhuma parcela adicional de aflição, de amargura, provocados por doenças, bastando às mazelas mencionadas para atender qualquer transgressão de preceito religioso para aqueles que acatam essa tese.

Aos agnósticos e aos ateus esse vale de dor é um ônus sem racionalidade, sem propósito, posto que a religiosidade não é contemplada em suas existências, portanto, se sentem duplamente lesados pela perfídia da vida.

É ultraje! 

Mas a sordidez da vida é irrefreável, irrestrita, irreparável.

Honestamente, reitero, não cabe espaço para a vileza da vida em acrescentar aos sofrimentos aludidos, doenças de qualquer natureza.

Aqueles que afirmam que a vida é bela ou são demagogos senis, ou portadores de uma deficiência psíquica em razão da ausência total de bom senso, ou acéfalos.

Saturado de conviver com a perversidade da vida não alimentarei mais seu desvio de caráter que se deleita em fazer sofrer a todos de forma tirânica. Parto, deixando à vida o meu eterno desprezo.

Não sejam descrentes, transcorridos trinta segundos após a conclusão desse ato tenham a convicção que ela, a vida, irá aumentar o seu sadismo na cota de vocês, pois por ser de natureza insaciável não suportará a minha ausência.


Desejo a todas, forças para suportarem seus sofrimentos específicos e a parcela adicional de meu infortúnio. 

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