
Eram filhos de um casal interracial, a mãe negra e o pai branco, com a fecundação de dois óvulos fertilizados separadamente, gerara crianças de cores diferentes.
O fenômeno é incomum e por essa razão não existem estatísticas oficiais que elucidem suas probabilidades.
A convivência de ambos os meninos já era conflituosa desde aquele espaço restrito, limitado, o útero materno.
Pais de classe média propiciaram aos filhos aquilo que julgavam ser o melhor, uma educação esmerada e um convívio harmonioso.
Contudo, as relações entre os irmãos eram conflituosas, eivadas de discussões e com ameaças nem sempre veladas.
Paulo, o de tez escura era um conciliador por natureza, mas, Marcos de pele clara, olhos azuis, cabelos claros e lisos era um provocador movido pelo ânimo da discórdia.
Paulo sofria do malfadado preconceito de cor, principalmente, na escola, porém, administrava aquela situação de desconforto graças à formação familiar.
Apesar de serem da mesma turma, Marcos, evitava o contato com o irmão.
O tempo com seu desassossego doentio avançava sobre as coisas e os fatos, desalentando uns, iludindo outros e extinguindo a existência de muitos.
Os irmãos chegaram à faculdade pública, em cursos diferentes.
Naquele novo universo de ensino um deles fez uma escolha equivocada, enveredando pelo caminho do vício.
O vício foi um mero rito de passagem para o tráfico de drogas.
No horário previamente acordado dirigiram-se ao estacionamento e antes de chegarem ao carro foram subitamente cercados pela polícia.
O serviço reservado da polícia tinha recebido denúncias anônimas sobre o comércio de drogas na universidade e numa dessas delações foi mencionado o sobrenome de quem praticava o ilícito.
A abordagem não foi civilizada entre as miras das armas. Paulo foi brutalmente espancado e Marcos recebeu uns safanões nada digno de registro.
Levados a delegacia, algemados, os homens da lei não tinham nenhum resquício de dúvidas, Paulo, o negão, era o traficante e Marcos, o branco, o usuário.
Levaram Paulo para uma sala especial e entre perguntas, intermediadas de porradas exigiram dele a confissão, imediata, sobre o tráfico.
O delegado ligara para a casa de Marcos e comunicara que o mesmo estava prestando depoimento como usuário de drogas.
O desespero da mãe ao comunicar ao marido o fato deixou-o mais do que sobressaltado e imediatamente, entrou em contato com um advogado criminal, amigo de longa data.
Encontraram-se na Delegacia.
Foram informados pelo delegado sobre a prisão de Marcos, usuário, e de um crioulo, um desgraçado de um traficante.
Diante dos pais, Marcos em estado de choque não conseguia articular uma mísera palavra.
O carcereiro conduziu o elemento, Paulo, em estado lastimável para o depoimento.
Ao adentrar a sala para depor, seus pais não acreditaram em que suas retinas registraram e essas imagens os perseguiram até os respectivos túmulos.
Aquele trapo humano completamente deformado era seu outro filho.
A privação súbita de sentidos da mãe, a indignação do pai e a intervenção do causídico levaram autoridade policial à compreensão de que uma representação seria interposta junto à Corregedoria de Polícia.
Os processos seguem seus cursos, naturalmente lentos, morosos.
Paulo traumatizado, com a vida destroçada, assistido por profissionais das áreas de psiquiatria e psicologia faz um tratamento longo e penoso, sem a mínima garantia do retorno ao equilíbrio psíquico perdido.
Nos raros momentos que emite parcas palavras, sempre recorrentes, diz:
“Pai, mãe, como é triste sofrer qualquer tipo de preconceito, mas o racial é cruel, pois, os negros são sempre vistos e acusados de serem os únicos protagonistas da delinqüência que permeia a sociedade”.
Em profunda depressão, olha a quantidade de fármacos controlados e complementa:
“Vejam! Aqueles remédios têm tarjas pretas, simplesmente, porque são de alto risco, não convencionais e tem que ser submetidos a um controle extremo. A mensagem é explicita, não é subliminar”.
Definitivamente a humanidade jamais vencerá o preconceito de cor, pois, a lógica das analogias com os fármacos restritos materializa de forma cabal como a sociedade hipócrita e sórdida, vê e rotula os negros.
O fenômeno é incomum e por essa razão não existem estatísticas oficiais que elucidem suas probabilidades.
A convivência de ambos os meninos já era conflituosa desde aquele espaço restrito, limitado, o útero materno.
Pais de classe média propiciaram aos filhos aquilo que julgavam ser o melhor, uma educação esmerada e um convívio harmonioso.
Contudo, as relações entre os irmãos eram conflituosas, eivadas de discussões e com ameaças nem sempre veladas.
Paulo, o de tez escura era um conciliador por natureza, mas, Marcos de pele clara, olhos azuis, cabelos claros e lisos era um provocador movido pelo ânimo da discórdia.
Paulo sofria do malfadado preconceito de cor, principalmente, na escola, porém, administrava aquela situação de desconforto graças à formação familiar.
Apesar de serem da mesma turma, Marcos, evitava o contato com o irmão.
O tempo com seu desassossego doentio avançava sobre as coisas e os fatos, desalentando uns, iludindo outros e extinguindo a existência de muitos.
Os irmãos chegaram à faculdade pública, em cursos diferentes.
Naquele novo universo de ensino um deles fez uma escolha equivocada, enveredando pelo caminho do vício.
O vício foi um mero rito de passagem para o tráfico de drogas.
No horário previamente acordado dirigiram-se ao estacionamento e antes de chegarem ao carro foram subitamente cercados pela polícia.
O serviço reservado da polícia tinha recebido denúncias anônimas sobre o comércio de drogas na universidade e numa dessas delações foi mencionado o sobrenome de quem praticava o ilícito.
A abordagem não foi civilizada entre as miras das armas. Paulo foi brutalmente espancado e Marcos recebeu uns safanões nada digno de registro.
Levados a delegacia, algemados, os homens da lei não tinham nenhum resquício de dúvidas, Paulo, o negão, era o traficante e Marcos, o branco, o usuário.
Levaram Paulo para uma sala especial e entre perguntas, intermediadas de porradas exigiram dele a confissão, imediata, sobre o tráfico.
O delegado ligara para a casa de Marcos e comunicara que o mesmo estava prestando depoimento como usuário de drogas.
O desespero da mãe ao comunicar ao marido o fato deixou-o mais do que sobressaltado e imediatamente, entrou em contato com um advogado criminal, amigo de longa data.
Encontraram-se na Delegacia.
Foram informados pelo delegado sobre a prisão de Marcos, usuário, e de um crioulo, um desgraçado de um traficante.
Diante dos pais, Marcos em estado de choque não conseguia articular uma mísera palavra.
O carcereiro conduziu o elemento, Paulo, em estado lastimável para o depoimento.
Ao adentrar a sala para depor, seus pais não acreditaram em que suas retinas registraram e essas imagens os perseguiram até os respectivos túmulos.
Aquele trapo humano completamente deformado era seu outro filho.
A privação súbita de sentidos da mãe, a indignação do pai e a intervenção do causídico levaram autoridade policial à compreensão de que uma representação seria interposta junto à Corregedoria de Polícia.
Os processos seguem seus cursos, naturalmente lentos, morosos.
Paulo traumatizado, com a vida destroçada, assistido por profissionais das áreas de psiquiatria e psicologia faz um tratamento longo e penoso, sem a mínima garantia do retorno ao equilíbrio psíquico perdido.
Nos raros momentos que emite parcas palavras, sempre recorrentes, diz:
“Pai, mãe, como é triste sofrer qualquer tipo de preconceito, mas o racial é cruel, pois, os negros são sempre vistos e acusados de serem os únicos protagonistas da delinqüência que permeia a sociedade”.
Em profunda depressão, olha a quantidade de fármacos controlados e complementa:
“Vejam! Aqueles remédios têm tarjas pretas, simplesmente, porque são de alto risco, não convencionais e tem que ser submetidos a um controle extremo. A mensagem é explicita, não é subliminar”.
Definitivamente a humanidade jamais vencerá o preconceito de cor, pois, a lógica das analogias com os fármacos restritos materializa de forma cabal como a sociedade hipócrita e sórdida, vê e rotula os negros.

Fico muito feliz que esse texto tenha sido produzido por um lucido escritor branco.Perfeito!!!Bom para mostrar para muitos que insistem em dizer que nosso Pais nao tem racismo,que isso e coisa de nossa cabeca,isto e de nos cidadaos pertencentes a raca negra.Cada vez mais esse jovem e inteligentissimo escritor nos surpreende!
ResponderExcluirTâmara,
ResponderExcluirDesgraçadamente o preconceito existe e a postura da maioria das pessoas em negá-lo, impede que essa cegueira moral deixe de existir.
Beijos