Em seus momentos de crise existencial onde a angústia, a tristeza e o desespero roubam parte substantiva de sua vida, apega-se como um naufrago na fração restante de sua existência que flutua perigosamente nas vagas do oceano encapelado da indiferença dos outros semelhantes.Essa última condição é um mero ato instintivo de sobrevivência e não o perturba por entendê-lo assim, afinal não deseja e não espera nada dos demais.
E essa atitude não significa amargor nem frustração e sim uma percepção adequada da natureza humana, e dessa forma procura viver mais e melhor dentro de suas possibilidades.
A busca desesperada pelo seu equilíbrio emocional é um processo contínuo.
A retórica de sua mente o perturba não apenas pelas argumentações que fragilizam suas convicções, mas pela intensidade dos arroubos de suas colocações onde variam estilos e inflexões.
Em resumo, a oratória de sua mente desqualifica quaisquer tribunos de longas experiências na arte do convencimento.
Os que sobem aos púlpitos para demagogicamente induzir o povo ao erro, ou aqueles que fazem defesas calorosas de seus clientes onde inexistem mínimas presunções de inocências, mas sim vultosas quantias que promovem as argumentações falaciosas dos causídicos não fazem, reitero, concorrência com aquele rábula melífluo, a sua consciência (mente).
Em função da última crise psicológica encontra-se em ruínas.
As suas estruturas de bom-senso vieram abaixo e aquele tribuno finório (o poder intelectual de seu espírito, em outras palavras, a sua mente), exerce mesmo assim a sua retórica, equilibrando-se nos escombros dos hemisférios cerebrais e nos neurônios atrofiados.
A juíza daquele tribunal da consciência interrompe a promotoria (a mente) e passa a palavra para os dois advogados de defesa que são dois neurônios combalidos que fazem suas sustentações apoiados em fármacos de tarja preta que fornecem algum equilíbrio emocional para as devidas réplicas.
Mesmo com a ajuda adicional dos ansiolíticos aos assistentes de defesa, providenciada pelo médico, aquele indivíduo sucumbiu.
Em termos de perspectiva de vida, a sua agora é um mergulho no fundo das garrafas de diversos conteúdos alcoólicos.
Como seus mergulhos ainda não são de longo curso, acorda ruim, e procura remédios para ficar bom.
Os deuses malditos entorpecem sua mente, promotora cruel, deixando-a debilitada e incapacitada para externar quaisquer novos argumentos, pois as antigas divindades, a dos tranqüilizantes, não tiveram forças para impedir suas crises que o levaram a essa destruição física e psicológica.
A questão é quanto tempo ele irá resistir à desesperança.

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