O avançar do tempo tem como finalidade precípua a de penalizar os indivíduos que teimam em resistir a sua ignomínia, mas esse vilão que aparentemente é invencível sentirá o amargor da derrocada definitiva.E essa será concretizada quando não puder mais exercer sua vilania pela ausência de seres viventes e, então, tornar-se-á um perdedor desqualificado que vagará solitário e impotente entre os corpos e lixos celestiais.
Não chega ser uma satisfação completa, mas certamente já é um alento o destino final desse inimigo figadal, infelizmente é uma desforra possível, não a desejada.
Agora, outras derrotas parciais e, portanto menos contundentes o tempo sofre.
Todos que passaram pela idade da maturidade têm a sensação de que os tempos passados medidos em anos não se fazem presentes nos seus espíritos.
E esse sentimento não tem correspondência com a inadmissibilidade do passar do tempo, não.
Afinal o poder destrutivo do tempo é visível e está inoculado nas deficiências orgânicas, nas fragilidades dos tônus musculares, nas epidermes encarquilhadas, nos circuitos neurais interrompidos, etc. Esse tempo do envelhecimento, inequivocamente, é real e, portanto, incontestável.
Falo de outro tempo, o aferido no interior, processado na mente das pessoas.
Todos em idades provectas ou não, sentem que o passar desse tipo de tempo tem uma velocidade própria que não se coaduna e não se compatibiliza com o tempo, tempo.
Fundamentalmente, sentem que suas idades ficaram congeladas no passado, uns se sentem como tivessem 20 anos, outros, com idades bastante diferenciadas e menores que as cronológicas.
Reitero, esses sentimentos não correspondem à fuga da realidade física e, também, não é um desejo ao retorno da juventude pela impossibilidade. É algo maior, de dimensão diversa, substantiva, concreta, pois, espelha as sensações psíquicas vivenciadas diuturnamente.
Essa capacidade mental de administrar a tocada desse tempo especial é que permite a continuação da sobrevivência sem o medo da morte iminente, eliminando a presença marcante da fatídica sensação do fim, por decurso de prazo.

Paulo, na época em que eu era apenas um estudante de direito na PUC, tive um professor desembargador, já evidentemente com a idade avançada, que tinha por dinâminca e/ou didática, enquanto os alunos entravam na sala para assistir à sua aula, ficar com os óculos abaixo do nariz observando todos entrarem. Após todos tomarem seus lugares, ele voltava para o seu caderno; e antes de dar ínicio à aula, sempre dizia: "O TEMPO É INEXORÁVEL".
ResponderExcluirTive com ele dois semestres, e ele sempre começava a aula com esta terminologia. E ele era muito sério e de poucas palavras. Mas, eu no último período não aguentei, e ao acabar uma aula dele, tomei coragem e fiquei para sair por último. Ele levantava-se com uma certa dificulade e com a ajuda de uma bengala. Nesse momento então, eu o interpelei, já me desculpando pela pergunta que iria lhe fazer. Ele apenas concordou meneando sua cabeça. Aí perguntei: "Mestre, estou terminando o segundo semestre de Direito Civil com o senhor...", fiz o elogio natural da excelência que era. E ele com o olhar fixo para mim, apenas respirando lentamente como quem estava pensando: "Pô, pergunta logo, não tenho todo tempo do mundo".
E fui direto ao ponto: "Por que o senhor toda a vez que começa a aula, diz olhando para quem vai entrando 'O TEMPO É INEXORÁVEL'?"
Ele pegou a bengala, colocando em cima da cadeira, e me disse: "Tenho 70 anos, sofro de todas as dores que você, jovem, pode imaginar; sou respeitado, ganho bem e não tenho a menor necessidade de vir aqui dar estas aulas chatas.
Porém, a única coisa que eu ainda posso fazer para ter a vida ainda pulsando é ver minuciosamente a entrada destas lindas jovens com os seus corpos definidos e absolutamente cheirosos, e pedir para que durante estes anos todos que estou aqui, elas cheguem até a mim com essa sua sensibilidade e me perguntem isso pra eu falar que se elas quiserem adquirir todo o meu conhecimento, em troca só teriam de me dar 2 míseros minutos para tocá-las.
Mas que ironia é a vida! Quem teve a sensibilidade e coragem de fazer esta pergunta foi um jovem, magro, feio e ainda por cima homem.
Que pena....O TEMPO É MESMO INEXORÁVEL.
Faria,
ResponderExcluirSeu professor estava repleto de razão. O tempo é inexorável e segue sempre numa marcha constante, levando todos ao fim.
Abraços