quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Aos imbecis dos eleitores (sei..você é exceção)

Depois de anos como professor universitário, em faculdades públicas e privadas, ministrando aulas de economia, nos últimos tempos o seu comportamento estava definitivamente provocando desconforto para as respectivas Reitorias, apesar do aumento significativo de alunos nas suas aulas, inclusive de cursos em que a matéria não fazia parte da grade curricular.

Com contundência, mas com profissionalismo, expunha as vísceras putrefatas das políticas públicas em geral e especificamente as relativas aos investimentos em ciência e tecnologia no Brasil, e suas nefastas conseqüências.

O resultado foi que nos meados daquele ano de 2004 foi afastado do ministério e compelido a tratamento psiquiátrico.

Entre crises e sabedor por força da formação que os seres humanos reagem a incentivos observou que ultimamente o tratamento dispensado pela esposa o enquadrava desfavoravelmente pela falta de sintonia nas atividades do casamento, o resultado foi a falta de fidelização. Substituído e com recursos combalidos pelos proventos do seguro saúde e agravados pela separação encontrava-se num quartinho alugado com banheiro no final do corredor de uso comum aos demais inquilinos.

O preço da pocilga era alto, afinal a lei da oferta e da procura é universal, quiçá cósmica, e não depende de conhecimento acadêmico, por ser intuitivo.

As protelações nas consultas do psiquiatra tornaram-se mais freqüentes, afinal o seu plano de saúde pagava um valor desprezível e era atendido somente quando não existiam clientes que pagavam à vista ou quando não concorria com pacientes dos demais planos de saúde.

A sua saúde mental não era prioritária para o profissional, e sim a remuneração. É a lei do mercado, ou não?

Quanto à rede pública, não existe o atendimento preventivo na área da saúde mental, afinal os governantes por um pragmatismo cruel não disponibilizam essa prestação de serviços, por uma razão simples e objetiva, a população brasileira é completamente desequilibrada mental e sem cura, do contrário não votariam neles. Essa atitude pode ser adjetivada de várias formas, mas francamente é honesta.

Como tudo é uma questão de tempo, o dele chegou.

Adentrou o manicômio e o ar dos loucos levou-o a outros ares e à reincidência de seu vício, o de pensar.

“Os ares rarefeitos, poluídos ou não, que são ativos da União foram “doados” às operadoras de telefonia celular que os usam em suas redes e cobram preços estratosféricos, afinal é uma questão de coerência com o espaço utilizado, entretanto, não têm compromisso com o funcionamento dos seus produtos (celulares). É... Com a palavra a Anatel e concluiu o pensamento: é mera força de expressão, afinal a aludida Agência é muda na cobrança e surda às reclamações dos usuários. Que país!”

Depois da triagem interna foi avaliado como um louco manso e à noite, no refeitório dos malucos belezas ficou aparvalhado diante de um prato de sopa de soja e ao sair do transe, aos berros, gritou:

“País desgraçado! A tonelagem de soja exportada tem um custo de US$ 223,08 e a de minério de ferro custa US$ 25,36; em contrapartida, importamos a tonelagem de autopeças e circuitos integrados por um custo de US$ 6.409,09 e US$ 639.241,43, respectivamente”.

Os loucos escutaram aquelas palavras e reagiram como todos que não detêm o poder da escassez. Ficaram calados e prostrados à margem das mesas, assim como os outros não loucos que ficam à margem dos mercados.

O médico de plantão e os brutamontes dos enfermeiros, imediatamente, desabaram sobre ele, vestindo-o com uma camisa-de-força e depois recebeu uma dosagem cavalar de sossega leão ministrado por uma daquelas bestas.

O psiquiatra que fizera a avaliação daquele miserável (o professor) fez um mea culpa ao pretensamente errar o diagnóstico da tarde e solenemente proferiu: “Cometi um grave erro de avaliação, apesar de anos e anos de profissão e do respaldo do meu doutoramento no exterior, peço minhas sinceras desculpas. Depois das sandices absurdas proferidas por aquele novato no refeitório, não tenho dúvidas em diagnosticá-lo como uma causa perdida. É um louco varrido e extremamente perigoso e deve ficar para sempre no isolamento.”

Não declinarei o triste fim daquele professor e sim, externarei a minha preocupação e minha indignação com vocês que compactuam com esses crimes de lesa-pátria, por omissão ou por uma ignorância, meramente, seletiva.




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