domingo, 14 de março de 2010

Irmãos


Dentre os diversos mistérios da vida que são muitos, o legado da herança genética dos ascendentes aos descendentes é um daqueles que me intriga pela complexidade e pela aleatoriedade na operação da transmissão dos caracteres hereditários.

Habituado com minha ignorância e com minhas perdas que para muitos são poucas, mas para mim são grandes e suficientes, continuo a perseguir o entendimento possível sobre esse mistério, onde uns recebem o de melhor da carga genética, outros a parcela que dispensam qualificativos pela sua degenerescência.

Analisando o comportamento de dois irmãos que tem em comum os meus pais biológicos, a mesma educação, a mesma atenção e carinho, indago: como podem ter atitudes e índoles tão diferentes?

Exemplifico, através, de dois irmãos gêmeos que vêem o mundo com percepções completamente diferentes e têm códigos de condutas absurdamente distintos, mas são unidos.

Entretanto, o somatório das diferenças de ambos não podia levar a um resultado diferente daquele que começava a se delinear, ou melhor, a materializar-se.

Os pais ao receberem a notícia entraram em crise e foram parar na emergência de um hospital, um cardiopata, outro hipertenso e diabético.

Os filhos estavam detidos e prestando depoimentos numa delegacia e as provas eram irrefutáveis.

O crime praticado fora hediondo.

Aquele que determinava suas condutas, através de um conjunto de ações condenáveis, praticara o crime e o negava enfaticamente, o outro, forçado pelas circunstâncias, acusado de cumplicidade, confessara.

Desconheço os meandros das leis penais, entretanto, os juristas estarão diante de uma excrescência jurídica, afinal os irmãos são xipófagos.

O que cometeu o crime teria sua constituição física normal, caso não tivesse um apêndice no seu tronco, o tronco de seu irmão, o de boa índole.

A complexidade do julgamento e das cominações das penas será mais um mistério, na minha lista de enigmas.

Chegou ao local do crime pelas pernas do irmão e assistiu aquela mão assassina, que às vezes o afagava, a consumar o crime bárbaro, enfim, participou do crime compelido pela sua má formação genética.

As suas possibilidades para evitar o crime foram exercidas à exaustão, clamou ao irmão para não perpetrar o crime, e nada mais podia fazer, pois, não possuía os membros superiores para impedir o ato.

Aos juristas rogo que me encaminhem suas peças (pareceres) de acusação e de defesa, antes que misteriosamente, a insânia condene definitivamente a minha mente e a minha alma.

5 comentários:

  1. Pai, isso é verídico ou saiu da sua cabeça???
    Beijos!

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  2. Mente ociosa?
    Você é um gênio!
    Beijos.

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  3. Prezado senhor. É com grande preocupação que chego ao final do seu texto e me sinto como se estivesse dentro de uma garrafa de vidro escuro. Você está cada vez mais hermético. Um dias desses estará fechado como uma ostra ao vento e eu, desesperado por achar que perdi minha capacidade de raciocínio. Parabéns!

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  4. Mania de pensar,

    Quando o único neurônio resolve hipotecar solidariedade ao aposentado, tentando minimizar a triste realidade de que seus pretensos conhecimentos foram lançados na vala do esquecimento, acaba saindo um texto dessa natureza.
    Improvavel, pensarão alguns. Mas a teoria da probabilidade existe.
    Obrigado pela solidariedade da leitura e do comentário.
    Um forte abraço

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