O local era sombrio,
o ar saturado e o cheiro de bolor insuportável. A temperatura ambiente não
poderia ser outra, desconfortável. Era um local a vista desarmada sem vida.
Os corredores e as
escadarias que levavam aquele recinto eram desgastados pelo tempo e a
luminosidade sofria de uma opacidade semelhante à visão dos velhos que sofrem
de catarata.
Conviviam
pacificamente as traças, as aranhas e os ratos que avançavam sobre aquelas
pilhas de papeis infindáveis, datados de épocas diversas, mas, principalmente,
de tempos idos.
O silencio ecoava
naquele lugar, um silencio de revolta, de indignação, de abandono, de desprezo.
Havia meses que um
bípede da espécie humana não adentrava naquele lugar, denotando a
desimportancia dos que deveriam preservar, desarquivar e dar vida aquelas vidas
que pululavam, provavelmente, de raiva, de revolta, não adstrita aqueles maços
de papéis amarelados e empoeirados, mas fora.
Entretanto, milhares
não poderiam mais expressar seus sentimentos de indignação, pois,
encontravam-se no mesmo estado acabado das suas petições esquecidas, dos
inquéritos não prosperados, dos seus processos estagnados, estavam mortos.
Aquela situação
representava a vilania, a infâmia, enfim, o revés do dever constitucional que o
Poder Judiciário deveria exercê-lo.
Naquela montanha de
anseios, de desejos, de esperanças, de justiças, não existia um mísero caso de
postulante de posse, apenas, a de legiões infindáveis de deserdados da sorte.
Tétrico é saber que
aquele local não é um ponto fora da curva, são tantos que acabam tristemente
representando a própria curva, a da falta total de Justiça desse país,
denominado de Brasil.
O sarcasmo é tamanho,
pois, brasil pode ser sinônimo de “semelhante à cor da brasa”, portanto,
vermelha, que dentre outras significações é a cor que representa vergonha.
Quanta ironia!
O negro das togas dos
magistrados tem, também, significado iníquo, pois, é um símbolo de alerta aos
juízes sobre seu sacerdócio. Mais um descalabro ao sistema judiciário, contudo,
nossos olhos fatigados de constatarem as injustiças que não tem fim, mas nesse
caso nós, os humilhados e massacrados, percebemos claramente que a cor preta
utilizada por eles representa o luto pela morte da Justiça
.
Os fatos não permitem
aos calhordas de todos os tempos encontrarem argumentos contrários.
Em síntese, a
injustiça é a única Justiça exercida nesse país desgraçado.
Sempre seremos apenas
um espaço geográfico que delimita fronteiras com outros países, onde a falta de
justiça, de direitos estão circunscritos, restritos a essas coordenadas
geográficas, jamais uma Nação.

Belo texto, apesar de mostrar a anomalia, a face mutilida de nosso sistema Judiciario.
ResponderExcluirAntonio,
ResponderExcluirAgradeco pelo comentário sobre o texto. Infelizmente, o nosso Judiciário é precário e, mesmo tendo consciência disso, as autoridades de Poder não fazem nada. Utilizam, apenas da retórica para se justificarem.