
Era um indivíduo estranho na forma de conduzir a vida.
Sua visão sobre os fatos da vida não era absolutamente convencional e sempre afirmava que a disparidade entre os projetos de vida e sua concretização era a mesma que sucedia entre o sonho e a realidade.
Não era um pessimista, sua disposição de espírito não o levava a encarar tudo pelo lado negativo, a esperar de tudo o pior, ao contrário, era um pragmático e como tal, a sua tese estava adstrita à utilidade e à satisfação. E ponto final.
Para muitos não passava de um cínico despudorado e para parcela faltante, um nefelibata inconseqüente, ele não achava absolutamente nada.
Não tinha o menor compromisso com seus erros e acertos, e esses últimos é que não mereciam, por parte dele, nenhuma relevância, nenhum apreço.
As quase improváveis censuras diretas as escutava atentamente, mas declinava do inalienável direito ao contraditório.
Em síntese, não se abalava com as críticas e nem recuava um mísero milímetro de suas convicções.
Detestava conhecer pessoas, as evitava, pois seguia a risca seu postulado sobre as atitudes humanas que tinha a seguinte dicção: “Não compareça a enterro de banqueiro, pois este retornará a vida, por um minuto, para exigir de você a reciprocidade, isso por mera força do hábito”. A assertiva era estendia, por analogia, a todos os viventes.
No fundo era incompreendido, tanto nas suas ações, quanto nas omissões.
Mantinha-se incólume diante das artimanhas da vida, pois, guiava sua caminhada apoiada na sua persuasão íntima: “Já que os meus parcos sonhos não podem ser realizados, evito a materialização dos meus fartos pesadelos”.
Desta forma seguia a vida.
Quanto aos outros que fizessem suas escolhas, certas ou erradas, afinal, não dizia respeito a ele.

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