sábado, 10 de setembro de 2011

O cinismo sobre a Terceira Idade



A insanidade humana chegou a uma situação limite.

Ao adentrar os limites físicos daquela instituição o ar tornara-se mais denso, seu corpo cansado e maltratado parecia desintegrar-se, os fragmentos de humanidade que até então teimavam existir em sua mente, desapareceram por completo.

O processo de desumanização começara com o número de identificação que recebera e seria um adorno perene em suas vestes.

Abandonada pelos seus naquele espaço lúgubre denominado: Lar da Terceira Idade.

A banalização da família mudara o conceito de lar de outrora, onde as pessoas viviam unidas por laços sangüíneos. Sofrera uma transformação total que levaram até os dicionaristas, a incluir uma nova conceituação de lar, denominando assim, aquelas pessoas unidas por alianças, ou seja, relação estabelecida entre indivíduos ou grupos sociais díspares.

O eufemismo terceira idade, ou melhor idade, retrata a necessidade de criação de rótulos por uma sociedade hipócrita para simplesmente estigmatizar na essência, mas superficialmente dar uma conotação civilizatória.

Idade, por definição, é o número de anos de alguém, e ponto final. (desculpe a redundância).

O que significa melhor idade? Provavelmente será para os médicos, para enfermeiros, para a indústria farmacêutica, mas honestamente, não para aqueles que sobrevivem mais. Não venham com argumentos falaciosos.

E os ditos bailes da terceira idade? É de uma conveniência social sem precedentes, assim cinicamente afirmam. A imagem transmitida é da importância da interação com seus semelhantes, nada mais falso.

Assistam a um desses bailes.

O número de senhoras idosas é infinitamente maior do que o dos homens. Como são de outra época, onde o cavalheirismo fazia parte da conduta social, as senhoras ficam sentadas por horas, aguardando a sua vez para dançarem com eles. Quando não resolvem formar par entre elas.

É um processo contínuo de rejeição, entretanto, isso é um problema menor. O maior dos problemas é quando chegam à semana seguinte e sentem a falta de um. A ausência pode ser em decorrência do agravamento da doença, de um insulto cerebral, ou da morte.

Os idosos deveriam conviver com os seus. Participar, mesmo que passivamente, dos problemas de toda sorte vivenciados pelos filhos; ter o direito de ser atormentados pelos netos e seus coleguinhas, isso sim é vida. E lógico, irem aos bailes tendo como companhia um dos seus familiares.

Entretanto são abandonados (as) e recolhidos (as) nessas casas de assistência social, pagas ou públicas.

O pagamento não é um atenuante para seus gestos indignos, nem mesmo como abrandamento de suas consciências pesadas.

O passado? Ah... dane-se o passado. Os sofrimentos, as renúncias, o amor pleno dispensado aos filhos, nesses momentos de chegada da idade provecta são esquecidos e a contrapartida é recolhê-los a um asilo.

Asilo é uma palavra de vários significados, tem-se o asilo político que é o lugar onde ficam isentos da execução das leis do seu país, os que a ele recolhem livremente, no sentido da escolha do país a se refugiar.

O asilo para onde são encaminhados os da terceira idade (faça-me o favor!) é lugar onde compulsoriamente ficam os rebotalhos, os refugos humanos, premidos pelos filhos que os desterram em vida, pela falta de amor e paciência.

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