Era um triunvirato onde as linhas de governo e os poderes de mando estavam adstritos, apenas e tão somente, àquelas figuras ímpares que seguiam com as cóleras próprias dos justos, naquela enfiada de pessoas colocadas uma em seguida às outras para tomarem, coercitivamente, suas últimas doses de fármacos, prescritas para cada um dos pacientes daquele manicômio.Afinal, uma noite tranqüila e reparadora era o desejo dos auxiliares de enfermagem, das enfermeiras, dos brutamontes travestidos de enfermeiros e do pessoal da limpeza, exceção feita ao médico. E não era em função da necessidade de burlar a insônia ou, em decorrência ao estrito cumprimento do dever, ao contrário, era por desídia mesmo.
O psiquiatra aparecia uma vez na semana, em compensação o salário comparecia sempre e de forma íntegra em seu holerite mensal.
Na manhã seguinte, talvez em razão dos possíveis sonhos, os três exigiram de cada qual, uma reunião de emergência.
Logo após o café - disse o primeiro.
Não! - protestou o segundo, será depois do breakfast.
Besteira! - afirmou o terceiro, emendando: a reunião será após o desjejum.
Resultado, começaram a confabulação com fome.
Não sorveram daquela mistura de leite achocolatado com porções desconhecidas, mas generosas, de inibidores sexuais, acompanhado daquele símbolo fálico, duro de encarar, apesar do tamanho insignificante, um pãozinho francês.
Estavam literalmente no clima da discussão, afinal por caminhos transversos, os assuntos ensejados pelos três eram sobre a fome.
Pela primeira vez, ocorria consenso sobre um tema a ser debatido em reunião de Gabinete daquele Triunvirato.
Com a voz impostada e usando um linguajar empolado, o Ministro, que diga de passagem, não era um qualquer e
auto-intitulava-se, Ministro do Supremo Tribunal da Terra, dos Mares e dos Ventos, começou a sua peroração.
Incitou aos dois colegas sobre a necessidade de suprir a fome de justiça dos homens, dos batráquios e dos vermes.
Al-al-to-to-to laaaá! - bradou Deus. A gagueira não era produto do destempero momentâneo e sim, uma deficiência
de nascença.
Fuuui em-em-ga-ga-naaa-dooo. Aaa fofome paaraa mimmmm eeera dodo eeespíírítotoo.
O clima entre eles piorou com a intervenção do terceiro, o Barriga de Miséria: Fome de justiça e de espírito é o cacete.
Fome só existe uma: fome-fome. Advogava em causa própria e dos demais seres viventes.
No meio daquela discussão caótica e aos berros, vários débeis mentais se aproximaram e os cercaram, formando um círculo (aí, estou sendo condescendente) e começaram a bater palmas.
Apitos surgiram de todas as partes e os brutamontes vestidos de branco corriam com camisas-de-força e seringas assustadoras com tranqüilizantes para abaterem, no mínimo, elefantes, chamados, inapropriadamente, de “sossega-leão”.
O chefe do turno chegou berrando: que barulho é esse? Que confusão de palmas é essa?
Um dos participantes respondeu com a ingenuidade dos alienados: “Estamos batendo palmas para maluco (sic) dançar”.
A autoridade daquela associação de três indivíduos foi dissolvida à base de fármacos e de confinamento em solitárias.
Enquanto isso, as fomes espirituais, de justiças e as das urgências alimentares permeiam o mundo dos sãos.
É de enlouquecer, ou não? – indago eu.

Paulão, essa me lembra dos tempos do D. Quixote de La Mancha e do seu fiel escudeiro Sancho Pança.........
ResponderExcluirJoca,
ResponderExcluirA lucidez de D.Quixote de La Mancha deveria ser um legado à Humanidade.
Infelizmente, os mandatários do mundo e as pessoas aquinhoadas pela sorte são desgraçadamente sãs na ótica presente.
Aos loucos cabem, apenas o descrédito, jamais o desrespeito.
Abraços de um nefelibata, com a redundância da insensatez.