
A velhice representa o acúmulo do pó do tempo de uma vida.
É a destruição gradativa da existência humana que, teimosamente, resiste às ignomínias do curso do tempo. Não é uma opção, é destino.
A sociedade, cuja organização é de uma sordidez indescritível, procura atribuir ao idoso o privilégio da maturidade das ações, do equilíbrio e da sabedoria.
Isso é um engodo cruel, principalmente, por ser uma ação deliberada dos promotores de idéias e conceitos sociais que agem em nome de interesses escusos, deformando e deturpando a verdade.
O lamentável é que suas falácias encontram ressonância entre os incautos.
Portanto, insistir na tese mentirosa de que o advento da idade provecta resulta em equilíbrio, em bom-senso, pelas experiências vividas é um ultraje à inteligência.
É como querer revogar as leis da decadência intelectual, e do declínio físico/mental, apenas pela palavra, desprezando a realidade factual.
A velhice representa a ruína de uma existência, nada mais.
O avançar na escala do tempo registra o conjunto das idiossincrasias da vida, o processo de desgaste natural do organismo com suas tristes e indeléveis cicatrizes e o limite da exaustão das forças físicas e mentais.
A existência mais prolongada não elimina os conflitos internos, as perplexidades, os medos, no máximo, as escleroses múltiplas permitem o esquecimento das adversidades e das frustrações vividas.
Isso não é sabedoria, é um castigo da natureza.
O mundo é caótico em decorrência de uma gama de fatores, contudo, essas e outras idéias velhacas, tornam-o mais confuso e desumano, lamentavelmente.
Os idosos merecem todo o respeito.
Agora, vê-los como possuidores de uma sabedoria que contemplam os atos e os fatos da vida, é admitir o inadmissível, é afirmar que a vida não leva à morte, é acatar a proposição de que os crápulas não envelhecem.

Paulão, sem dúvida que com a velhice existe um declínio da capacidade física e mental. Desdizer isso seria tolice, no entanto, a capacidade mental declina em menor proporção do que a capacidade física. Estimulando de maneira adequada a mente (Como vc o faz brilhantemente ao escrever), o declínio mental pode ser amenizado e pode-se ser intelectualmente produtivo até os 80, 90 anos. Barbosa Lima Sobrinho que o diga (Morreu ainda de posse de capacidade intelectual invejável aos seus 103 anos de idade).
ResponderExcluirNão sou especialista no assunto, no entanto, creio que utilizamos a nossa mente para pelo menos duas coisas, que são distintas entre sí, apesar de lidarem com o conhecimento. A primeira é o armazenamento e recuperação de conhecimento. A segunda a resolução de problemas, que é a criação de um novo conhecimento utilizando-se partes de conhecimentos previamente adquiridos. Para o primeiro, o declínio da capacidade mental em armazenar e recuperar o conhecimento, que vem com a idade, atrapalha, mas o segundo, caso a mente se mantenha ativa, devido ao acúmulo de conhecimentos do passado, há uma melhor chance de resolução de problemas com o passar do tempo, já que nos lembramos de muito mais coisas que são importantes para isso do que esquecemos.
Outro ponto interessante é que a memória não se perde, apenas o caminho para se chegar a ela, sim, pelo desuso. Se vc esta sempre acessando um registro de memória, o caminho para esse registro continuará ativo, permitindo o acesso dessa memória. Caso contrário, o caminho ficará "dormente" e vc terá mais dificuldades de se lembrar. Assim, o cérebro deixa de mapear os caminhos da lembranças que não nos interessa, focando em manter mapeados os caminhos que mais utilizamos.
Concluo, amigo, dizendo que, apesar da capacidade física e mental declinar, devido ao acúmulo de conhecimentos do passado, caso a pessoa consiga manter os caminhos que o cérebro utiliza para recuperar a informação armazenada, pode-se manter, ou até inclementar, a capacidade de análise e solução de problemas, com o decorrer da idade, até que um dano por desgate advenha como irreparável. Isso possibilita, a exemplo do ilustre Barbosa Lima Sobrinho, uma vida produtiva em idade avançada.
Jocasempre,
ResponderExcluirAs suas colocações, com sempre, merecem reflexões substanciais, contudo, divirjo sobre o alento de que a mente, mediante exercícios específicos possa continuar funcionando a contento, como em tempos pretéritos.
Não adentrarei na questão de tal fato ocorrer, apenas e tão somente com uma minoria de privilegiados.
O fulcro da questão é que o avançar da idade provoca o inverno da decadência dos órgãos com suas conseqüências que destroem a possibilidade de uma mínima qualidade de vida.
A idade provecta transforma o próprio corpo em uma prisão.
A capacidade de pensar (do idoso) nessa condição de penúria, no meu sentir, é de uma crueldade sem precedentes na história da vileza humana.
Quando você afirma que a memória fica intacta e que são os caminhos que se tornam um obstáculo para chegar é um ponto de vista interessante, mas não é um consolo pela impossibilidade de vias secundárias, pois, o tempo precarizou, também, essas rotas alternativas.
Finalizando, aproveite a sua juventude, pois, a chegada da idade é catastrófica.
Abraços mesmos enfraquecidos pelo passar do tempo,