quinta-feira, 27 de abril de 2017

O sorriso bastardo de Deus

O sorriso é a expressão facial em que os lábios se distendem para os lados e os cantos da boca se elevam ligeiramente, e quando provocados por humanidade expressa, apenas e tão somente, alegria, amabilidade, aprovação, contentamento, mas quando é escarnecedor, de desdém, de desprezo, de frieza, distinguido pelo opróbrio que revela o alto grau de baixeza, de torpeza, de abjeção, de degradação, esse é de Deus.

O quadro de minha Mara é completamente desolador.

Esquálida no corpo e em ruínas na edificação psicológica, em razão do avanço inexorável dessa doença insidiosa que concorre, somente, com a marcha do tempo e acompanhada de dores lancinantes, exclusivas dela, não do tempo, esse é insensível por natureza, por ser a mão direita de Deus.

À medida que suas dores aumentam as suas súplicas ingênuas pedem na mesma intensidade pela sua presença redentora para minimizar seus sofrimentos excruciantes, Deus. Eu odeio.

Você não passa de um crápula que escuta aqueles pedidos desesperados, e simplesmente mantêm-se indiferente, afinal o sadismo é a essência de seu espírito.  

Não me cabe dúvidas quanto a sua falta de integridade, da sua capacidade de macular, desonrar, a dignidade humana.

Esses são os seus mistérios. Os crédulos, coitados, imaginam sacralizados.

A duração de nossos destinos e dos danos em nossos corpos depende exclusivamente daquele tipo de sorriso e, a variação dele, determinará como será a intensidade do flagelo, ou não, na passagem. E o de minha Mara é de uma tortura inominável, em decorrência de um sorriso frio e macabro.

Você pode ser um enigma a ser decifrado ou um ponto de interrogação, apenas para esses seres humanos portadores de idiotia ou de incapacidade de pensar.

Essa corja ignara representa o seu exército. Um grupo de maltrapilhos e estropiados mentais. Esses seus seguidores são seus dignos representantes e fazem, portanto, jus a você, seu desqualificado.

Ah! Essa constatação é o meu maior prazer, o meu maior deleite.

Essa maldita aflição de minha Mara, consequência de sua moléstia, aliás, todas as enfermidades de maior ou menor potencial de danos foram disseminadas pelo seu livre arbítrio que resvala nos limites de seu ultraje, mas essa sua perversão será o seu martírio na perpetuação de sua imortalidade.

No final dos tempos você terá tempo para verificar a sua sordidez e terá apenas a companhia do vazio galáctico e como um vagabundo desqualificado acabará vagando eternamente com sua mente preenchida pela insânia, mero produto de sua perversidade nas vidas de seus dessemelhantes.

Que satisfação! Que gozo antecipado tenho.

E não tente mudar seu destino. Não adianta caminhar à busca dos cemitérios, na procura de um refúgio para as suas indignidades, pois a paz reinante encontrada existe pela impossibilidade daqueles moradores exprimirem suas opiniões, seus protestos, seus insultos à sua figura repugnante, nauseabunda, nojenta, asquerosa.

Lamento pela condenação de todos os corpos celestes que gravitam no espaço a conviverem coercitivamente com sua presença, contudo, é um preço desprezível comparado com os nossos.



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