Chamar aquele lugar de vilarejo era uma
impropriedade, de aldeota, vá lá, apesar de certo exagero.
Para chegar à única rua da localidade,
denominada de Urubu Fogoso, tinha que atravessar um pontilhão sobre o rio do Meio que dava nome aquele lugar formado por um punhado de construções toscas
que resistiam ao tempo. Pareciam centenárias.
A formação daquele exíguo espaço geográfico ocorreu com a chegada de Maria Roxa.
A formação daquele exíguo espaço geográfico ocorreu com a chegada de Maria Roxa.
Considerando Maria Roxa um ramo específico de
sua árvore genealógica, esse galho cresceu muito e, francamente, como deu
galho.
Maria Roxa era mãe de Maria das Graças, que
deu a luz a Maria Rubina, que por sua vez procriou Maria Ramona, que gerou
Maria das Flores e essa, a Maria do Rosário, que concebeu Maria Maria que deu
existência a Maria Genuína. (Os meninos não contam).
Isso sem contar as outras Marias que vieram
de origens, de arbustos diferentes.
Todas putas por necessidade e gosto.
Certamente era a maior concentração de Marias
por metro quadrado do planeta e olha que não entram na estatística, em seus
devidos retábulos, as diversas imagens de Nossas Senhoras de
vários nomes que no fundo são Marias.
Todas as Marias vendiam, além do corpo,
bebidas e cigarros para engordarem seus parcos ganhos. No ramo das bebidas
alcoólicas existiam diversos tipos de cachaças, no mais, apenas rabos de galo.
No segmento dos cigarros existia uma variedade maior: os de palha com fumo de
rolo, Imperador, Nobre, Mirage, Corcel, Salem, além de cigarros em retalhos
para os menos afortunados.
Continental sem filtro e outros tipos de
cigarros curiosos como os com anagramas, maçônicos ou religiosos eram
exclusividade dos fazendeiros, políticos, padres e juízes que traziam para
complementar seus prazeres, garrafas de uísque, logicamente, importados.
Desde a década de 20, do século passado, a
esbórnia era organizada.
Os ricos aliviavam seus instintos bestiais
com exclusividade nas terças, quartas e quintas-feiras, afinal, como senhores
respeitáveis, o final de semana era sagrado. Ficavam com suas famílias.
A discriminação social até para foder, nesses
tempos, fazia-se presente. Os demais clientes, os pobres, não tinham direito a
ter tesão naqueles dias da semana e se tivessem, teriam que partir para a
ignorância: "sair na mão".
Que negócio complicado da porra!

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