Não perderei o seu tempo
relembrando os acontecimentos sobre o descobrimento do Brasil, afinal a versão
calhorda é de conhecimento geral.
Fixarei o meu relato nos 10
dias anteriores à aludida descoberta.
Um grumete, não tolerando
mais os sofrimentos e as carências a que eram submetidos os da sua classe pelo
oficialato daquela caravela, repudiou com veemência as privações de água e
alimentos que sofriam.
Mesmo sabendo da punição
que o esperava, protestou, afinal, a sua dignidade estava muito acima da
covardia dos seus colegas de infortúnio.
O castigo foi imediato e
cruel.
Foi mandado para o caralho
que era uma pequena cesta afixada no mastro mais alto da caravela, local de
maior instabilidade da nave, em função dos múltiplos movimentos gerados pelo
impacto das águas, enfurecidas ou não, do mar, nas laterais do barco.
Era no caralho que o vigia
perscrutava o horizonte em busca de sinais de terra.
Em frangalhos fisicamente,
mas inteiro na sua dignidade, partiu de sua voz, a descoberta do Brasil, ao
gritar: “terra à vista, ó pá”.
O conjunto da obra sobre o
achamento do Brasil não poderia ser diferente, pois, antes mesmo de colocarem
os pés em terra firme, o processo de falácias iniciou-se, ao mutilarem a frase
dita, com a retirada da expressão, ó pá.
Quinhentos anos depois, o
cantor e compositor Eduardo Dussek, de forma mordaz, canta uma música aludindo
que o Brasil foi vendido à vista (na época do descobrimento), mas que agora é
a prazo.
Os responsáveis por essas
ignomínias deveriam estar a grilhões, condenados pelo crime de lesa-pátria.
Insaciáveis em se
locupletarem chegaram ao limite da insensatez e, no entanto prosseguiram: hoje,
doam o
Brasil (entendam o hoje, como um período de 20 anos, afinal, estamos em termos
cronológicos, falando de 500 anos).
As privatizações indecorosas,
na era FHC, pagas com moedas podres (valendo o valor de face) e o restante com
financiamentos proporcionados pelo BNDES.
Não tenho dúvidas que você
conhece o processo, mas a náusea que me causa é tamanha, e por isso não tenho
dúvida que serei perdoado por insistir em relatar de forma rudimentar o método.
O BNDES recebe aporte
de recursos monetários do Tesouro Nacional, mediante a emissão por esse de
títulos da dívida pública, captados no mercado a juros estratosféricos e
repassados, por aquele, aos “investidores” a juros subsidiados (baixíssimos).
Essa diferença dos juros,
além do principal, é coberta pelos impostos que todos nós brasileiros pagamos.
(não fique indignado, afinal, as gerações futuras, seus netos, bisnetos,
pagarão ainda por essa esbórnia, também).
Na era Lula, por questão de
coerência eles não poderiam privatizar, e sordidamente fizeram o elementar,
trocaram o nome de privatização para concessão. Utilizando-se dos mesmos
métodos sórdidos do seu predecessor.
E o povo? Ah! o povo
brasileiro foi mandado para aquela cesta, como o grumete.
O Brasil virou uma caravela
gigante, onde o oficialato é composto pelos detentores dos poderes constituídos,
crápulas por natureza e corruptos por gosto e pela certeza da impunidade. Lógico,
que sempre se aplica a lei da exceção.
Recentemente alguns
milhares de grumetes revoltados desceram ao passadiço e protestaram contras as
ignomínias sofridas.
Os membros do oficialato,
que são ladravazes na sua quase totalidade, mas não burros, cederam com
migalhas.
Desgraçadamente o povo não
percebeu que deveria sair definitivamente daquela vida no caralho e, mandar em caráter terminante, para o
caralho, essa escória que nos representa.
Perdemos os ventos da
história mais uma vez.
Com as devidas vênias gostaria
de manter-me na definição de caralho (cesta) da Academia Portuguesa de Letras,
contudo, exasperado, termino usando o verbete atualizado daquele vocábulo:
É ... a vida é do caralho.

Muito bom o texto, Paulo. Mas precisamos, sempre, invocar os gregos e ficar com um pé atrás. Será que tudo isso é movimento de grumete mesmo? E os ladravazes? Você acredita que eles se intimidaram e cederam migalhas? Sei não...Vamos ver o que vai sair disso tudo. Quem será que vem por aí, hein?
ResponderExcluirCarlos Rosa Moreira.
Carlos,
ResponderExcluirA meu sentir, o movimento foi de grumetes, pois, qualquer órgão de classe e de partidos políticos eram rechaçados.
Quando aos ladravazes, esses fizeram como os gregos, recuaram uma passada e derrubaram a PEC-37, cuja aprovação seria por uma esmagadora maioria (foram as migalhas).
Enquanto não houver uma reestruturação do Poder Judiciário e das leis, lamentavelmente, as coisas não mudarão.
Carlos, o que vem por aí, talvez na quinta-feira, é o contra-ataque do Poder, com essa passeata dos Sindicatos CUT e Força Sindical que subornarão os famélicos e os deserdados da sorte desse país para engrossarem suas fileiras.
É com tristeza que constato que esses ventos de mudanças não passarão de meras brisas.
Agradeço pelos comentários.
Abraços,
Paulo Roberto.