sábado, 14 de maio de 2011

Tristeza, uma grande tristeza

O aspecto revelador de mágoa, de aflição, envolvia por completo aquele semblante cansado.

A tristeza é um vocábulo que define plenamente a qualidade ou estado que envolve a alma do indivíduo, mas aquela tristeza merecia uma adjetivação, era profunda.

Os últimos acontecimentos deixaram aquele indivíduo ainda mais fragilizado, afinal a impotência devastava definitivamente o seu espírito há muito alquebrado. O raciocínio linear desejado era claudicante, tortuoso, embotado.

As suas forças mentais e físicas estavam completamente exauridas pelos pensamentos recorrentes que aumentavam o seu desconforto pessoal deixando-o mais aflito e perturbado.

Sua conduta silenciosa e arredia afastava cada vez mais os seus, provocando um clima inamistoso entre as partes que a rigor não o desejavam, mas eram forçados pelas circunstâncias da convivência.

Sozinho buscava caminhos alternativos para sair daquele estado mórbido de tristeza e depressão, entretanto, retornava sempre ao ponto de origem.

O cansaço total da vida, naquele momento, não era uma força que deveria emergir, pois, os danos poderiam levá-lo a uma decisão de extinguir o tempo de sua existência.

O suporte religioso que outrora fazia parte de seu mundo, de forma plena, hoje apresentava indícios de fragmentos da inteireza pretérita.

Na falta de alternativa procurou um fármaco de tarja preta e duplicou a dose, por conta própria, contrariando as ordens médicas, na busca de um sono, mesmo que não fosse totalmente reparador.

No escuro do quarto, aguardou o efeito do remédio que o conduziria ao seu desejo imediato, o de dormir.

Tudo em vão, pois, sobreveio à companhia ingrata de uma péssima conselheira, a insônia.

Em resumo, dividiu sua tristeza intensa com a irritabilidade da incapacidade de conciliar o sono.

Pode não ter sido um progresso, ao menos ocupou parcial e precariamente sua mente, minimizando o fantasma do desalento.








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