A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é a maior universidade do Brasil.Tem dois campi, o da Praia Vermelha e o do Fundão. O que excede em tamanho, e leva seu nome, é o situado na Ilha do Fundão, zona norte do Rio de Janeiro, ocupando quase toda a sua extensão. Essa ilha foi criada na década de 50 do século passado, pela união de várias ilhas preexistentes, de dimensões e formas variadas, através de aterros.
Os alunos originários de outros Estados, juntamente com os da terra, mas com diminutas condições financeiras disputam, através de sorteio, vagas nos alojamentos da instituição.
O estado precário dos alojamentos é equivalente aos prédios do conjunto universitário.
A solidariedade entre os alojados é exemplar. Sempre arrumam um jeito de acomodar os outros, que estão na mesma condição e não foram contemplados quando do sorteio. A norma, proibitiva dessa conduta, sofre uma elasticidade, em nome da solidariedade.
Os espaços, diminutos, sofrem alterações internas, com medidas inimagináveis, para manter a privacidade dos novos agregados.
Principalmente aos domingos, aquela área imensa fica reduzida aos residentes, que procuram encontrar algum entretenimento entre eles, pois as módicas quantias que possuem não permitem um lazer desejado, fora do campus.
Não que a tranqüilidade tenha a dimensão desejada, pois os assaltos tornaram-se uma constante, variando apenas os comprimentos das armas apontadas e o tamanho do medo produzido.
Naquele domingo ensolarado, um grupo batia um papo sob uma das frondosas árvores. Eram alunos de diversos cursos, com perspectivas e valores diferenciados, trocando assuntos diversos.
De repente, um aluno de física resolve fazer alguns comentários sobre a área de seus estudos, com a seguinte observação:
- “É... a descoberta do buraco negro abrirá .....”
Nesse momento, é interrompido bruscamente por uma aluna de psicologia, com a seguinte indagação:
- “Quanto tempo fica, daqui, o tal do buraco negro?”
Resposta imediata:
- “Ah! Fica a um porrilhão de anos luz da Terra.“
Uma aluna de belas artes questiona o tamanho do aludido buraco.
Imediatamente, o aluno responde:
- “Para você ter uma idéia, a Terra é um pentelhionésimo de centímetro, em relação ao buraco negro.”
O estudante de farmácia indaga a que distância se encontra o famoso buraco negro.
Sem titubear, responde:
- “Olha, meu jovem, fica além, muito além da puta que o pariu.”
O estudante de matemática, boquiaberto, que a tudo ouvia, pensou:
- “Porra, já não bastam as derivadas, as integrais, as diversas medidas utilizadas e as suas respectivas conversões, e vem um maluco com novas medidas! A minha cota de paciência passou das medidas.”
Ao levantar-se, foi acompanhado por um estudante de direito, avesso aos números por natureza, que pensava:
- “Redigirei um habeas corpus em meu favor pois, depois da explanação do aluno de física, sinto-me coagido, diante da iminência de sofrer uma violência que provocará um abuso à minha auto-estima. Afinal, por incompatibilidade total com os números, divorciei-me dos mesmos e agora, ao ouvir essas novas medidas, perdi as medidas de meu equilíbrio, que poderão ser medidas com o retorno de minha fobia do passado.”
Na falta de uma medida para prosseguir com o texto, declaro que o faço por uma medida de bom-senso.

Paulão,
ResponderExcluirEssa foi muito bem humorada, apesar da dura realidade retratada no início, que só quem já morou em alojamentos conhece. Morei no alojamento da Universidade de Viçosa, construído, na época, para estudantes de pós-graduação, que comparado com os demais era um apartamento de luxo.
sds, Valdir
Valdir,
ResponderExcluirDe realidade em realidade percorrida chegaremos a conclusão da realidade final: não somos pôrra nenhuma.
Estamos sempre no buraco negro, mencionado no texto. Não vivi em alojamento de universidade, mas, no religioso, quando fui seminarista, é extremamente duro.
Abraços
As medidas da vida muita das vezes provocam um desfavor na vida de cada ser humano, pois, os excessos das mesmas ou as ausências são na realidade, uma desmedida.
ResponderExcluirAbraços
Hasta Las Nubes,
ResponderExcluirO problema são os excessos de medidas impostas aos indivíduos que diante dessas imposições desmedidas, enveredam por atalhos, onde as medidas de bom-senso, necessárias, são abandonadas, provocando um verdadeiro desastre pessoal na vida das pessoas.
Avaliar as medidas impostas pela vida é exercício desmedido.