
Aquele senhor, parado diante de um quadro denominado Ruínas, chamara a atenção dos seguranças do museu.
Apoiado em uma bengala, com o corpo curvado pelo peso da vida quedava-se, havia duas horas, com o olhar petrificado na imagem do quadro, aliado a uma imobilidade corpórea, denotando o sentimento que a realidade da obra e sua beleza despertavam naquele ser.
As dimensões do quadro eram reduzidas, contrapondo-se à grandeza que o pintor conseguira exprimir.
A pintura a óleo, em seu primeiro plano, mostrava as ruínas de uma construção indefinida, na sua forma e datação e, em segundo plano, uma árvore frondosa, com todos os seus galhos recurvados para a direita, transmitindo a ação de um vento impetuoso sobre aquele ambiente, tendo ao fundo um céu em transição, tendendo para uma melhoria nas condições atmosféricas adversas.
Os escombros físicos, dependendo da qualidade do olhar e por mais paradoxal que seja, podem ser belos, apesar de ruínas.
Na mente daquele observador em êxtase, o pensamento dicotômico entre as ruínas físicas e morais, representando a destruição de um período, cuja extensão pode ser aferida em séculos ou em parcas dezenas de anos mas, em ambos os casos, medindo fragmentos de vidas.
O exercício da reconstrução daquela imagem, produzido mediante o devaneio daquele senhor frágil, transformou a impossibilidade física de aglutinar os materiais fragmentados e os inexistentes – perdidos ou destruídos pela exaustão do tempo – em uma reconstituição concreta, efetiva.
Um sorriso largo delineou-se naquele rosto envelhecido. Mesmo que momentaneamente, o rejuvenescimento de um passado remoto fez-se presente, pois a restauração de uma época, pela força criativa de sua mente, permitiu a junção dos escombros, existentes ou não, com as amálgamas do passado, a recuperação de registros de memória tornados inacessíveis.
Curvado, com passos trôpegos e com o rosto encharcado por lágrimas incontidas, dirigiu-se à saída, sufocado pelos pensamentos recorrentes sobre seu passado.
Sob ruínas morais de diversos matizes, não suportara a palidez da morte nas faces de seus três filhos e de sua esposa, levados por um acidente automobilístico. A destruição, precoce e impiedosa, das vidas dos seus, transformou a sua em escombros.
A tragédia vivenciada levou-o a uma condenação eterna, as tormentas tornaram-se perpétuas. O vento das lembranças o conduzia às reminiscências, vergadas pelo amargor do sentimento inequívoco da injustiça perpetrada aos seus, desaparecidos pela ação de uma única pincelada, provocada pela mão insensível do destino, desse artista sem alma.
Ele era uma ruína que persistia ao tempo.
Apoiado em uma bengala, com o corpo curvado pelo peso da vida quedava-se, havia duas horas, com o olhar petrificado na imagem do quadro, aliado a uma imobilidade corpórea, denotando o sentimento que a realidade da obra e sua beleza despertavam naquele ser.
As dimensões do quadro eram reduzidas, contrapondo-se à grandeza que o pintor conseguira exprimir.
A pintura a óleo, em seu primeiro plano, mostrava as ruínas de uma construção indefinida, na sua forma e datação e, em segundo plano, uma árvore frondosa, com todos os seus galhos recurvados para a direita, transmitindo a ação de um vento impetuoso sobre aquele ambiente, tendo ao fundo um céu em transição, tendendo para uma melhoria nas condições atmosféricas adversas.
Os escombros físicos, dependendo da qualidade do olhar e por mais paradoxal que seja, podem ser belos, apesar de ruínas.
Na mente daquele observador em êxtase, o pensamento dicotômico entre as ruínas físicas e morais, representando a destruição de um período, cuja extensão pode ser aferida em séculos ou em parcas dezenas de anos mas, em ambos os casos, medindo fragmentos de vidas.
O exercício da reconstrução daquela imagem, produzido mediante o devaneio daquele senhor frágil, transformou a impossibilidade física de aglutinar os materiais fragmentados e os inexistentes – perdidos ou destruídos pela exaustão do tempo – em uma reconstituição concreta, efetiva.
Um sorriso largo delineou-se naquele rosto envelhecido. Mesmo que momentaneamente, o rejuvenescimento de um passado remoto fez-se presente, pois a restauração de uma época, pela força criativa de sua mente, permitiu a junção dos escombros, existentes ou não, com as amálgamas do passado, a recuperação de registros de memória tornados inacessíveis.
Curvado, com passos trôpegos e com o rosto encharcado por lágrimas incontidas, dirigiu-se à saída, sufocado pelos pensamentos recorrentes sobre seu passado.
Sob ruínas morais de diversos matizes, não suportara a palidez da morte nas faces de seus três filhos e de sua esposa, levados por um acidente automobilístico. A destruição, precoce e impiedosa, das vidas dos seus, transformou a sua em escombros.
A tragédia vivenciada levou-o a uma condenação eterna, as tormentas tornaram-se perpétuas. O vento das lembranças o conduzia às reminiscências, vergadas pelo amargor do sentimento inequívoco da injustiça perpetrada aos seus, desaparecidos pela ação de uma única pincelada, provocada pela mão insensível do destino, desse artista sem alma.
Ele era uma ruína que persistia ao tempo.

Apesar de triste, é lindo!
ResponderExcluirNossa, não sei nem o que comentar... Chorei!
Esse livro tem que sair logo hein.
Viver em ruinas realmente não é algo confortável. Eu que o diga!
ResponderExcluirEspero que o vento tenha trago bons fluidos para sua vida.
Esse livro sai ou não sai?
Texto profundo e triste.
Paula,
ResponderExcluirRealmente é um texto triste, mas não precisava chegar as lágrimas.
O livro é um projeto que como todo aquele que se preza está atrasado.
Talvez, quem sabe ele acabe sendo finalizado.
Beijos
Marcus,
ResponderExcluirRuínas tem vários significados, dentre eles: destruição, causa de perda, etc.
O ato de viver é um processo de construção e desconstrução constante. Em alguns momentos passamos por fases em que aflora uma série de perdas, de maneira concentrada e recorrente.
Os sonhos postergados, as expectativas de diversas ordens e grandezas frustadas (no trabalho, na escola, com os nossos pais, com os amigos,etc.) , perdas de pessoas queridas resultado da vilania da morte.
A sucessão desses fatos ou de apenas um deles isoladamente, leva-nos a uma situação de ruína interior pela perda de algo.
A sabedoria para administrarmos a arte da vida é que vivamos muito bem o dia de hoje, pois,veja bem, ao chegar nessa linha desse meu comentário, o que foi lido já virou passado e portanto, o hoje será o passado de amanhã. É um exercício dificil, mas se agirmos assim, ao olharmos o nosso passado veremos que ele foi bom. Que o vento traga o refrigério para seu espírito e para o de todos nós. O livro sairá, mas, quando ainda não o sei.
Beijos
Ei, tio. Que surpresa boa você por aqui! Agora tenho um lugar interessante pra visitar nas horas vagas, além desse espaço encurtar nossa distância (mesmo que apenas por alguns minutos.
ResponderExcluirDaqui a pouco passo com mais calma, leio tudo e começo a comentar também.
Super beijo!
Luana.
Luana,
ResponderExcluirVisite nos momentos possíveis e veja as idiossincrasias de seu velho tio.
Como a aposentadoria levou-me à vida de mandrião procuro vencer essa etapa comentendo esses desatinos contra a lingua pátria.
Espero que leia e faça suas críticas, pois, não me sentirei ofendido, em razão de conviver com a maior das ofensa que é receber os proventos da aposentadoria do INSS.
Beijos
Tio Paulo,
ResponderExcluirNão sabia dessa sua face de escritor!
Adoooorei!!!
Texto lindissímo.
Prometo passar aqui sempre...
Beijos e fica com Deus!
Ana Claudia,
ResponderExcluirFace de escritor é muita bondade sua.
Como estou aposentado resolvi escrever, com muita dificuldade, esses textos.
Não deixe de enviar suas críticas.
E caso julgue conveniente, repasse esse blog para os de seu convívio.
Beijos de seu velho tio.
Professor Paulo, é difícil até de comentar esse texto, pois como é espinhoso largar o passado e suas mágoas para trás, eles insistem em nos acompanhar. E quando se trata de perdas de pessoas amadas, ainda mais de forma trágica, isso é muito difícil suportar e compreender...Apesar de ser um texto, é como se fosse um vídeo da vida de muitas pessoas. E quando falamos de acidentes automobilísticos, nem sempre quem sai mais prejudicado é o culpado. Esse texto é uma alerta para os jovens que gostam de se aventurar, pois esses atos irresponsáveis pode danificar uma vida pelo resto de sua existência como desse senhor. Parabéns por mais essa relíquia de texto.
ResponderExcluirNão vou falar sobre seu livro pois estou vendo que todos estão ansiosos e cobrando. Mas não tem problema nenhum em demorar professor, pois esperaremos o tempo que for preciso. A pressa é inimiga da perfeição... Abraços...
Heidi,
ResponderExcluirO passado é um tirano que nos cobra possiveis omissões, apresentando uma conta extremamente desproporcional. Por vezes, convivemos aparentemente bem com as idiossincrasias, entretanto, com o passar do tempo, os reflexos vem com o desiquilíbrio emocional e psicológico.
O sentimento de perda é extremamente dolorido e o ritual de passagem, por vezes não é completo.
Agradeço a generosidade ao elogiar o texto.
As conclusões abragem uma amplitude de questionamento imensa.
A reflexão é sempre uma boa companheira.
Quanto ao livro espero levar o projeto adiante.
Abraços cordiais,
Paulo Roberto
É uma pena que a palavra ruína no nossa cultura tupiniquim de 500 anos sempre nos conduza à tristeza ou ao desalento. Mas esse não é o sentimento que temos quando visitamos as ruínas do Coliseu em Roma, ou as do Parthenon, em Atenas. Nessa hora, as vemos e sentimos uma satisfação de sermos descendentes de civilizações anteriores que forjaram a nossa. Da mesma forma a ruína humana com que nos deparamos em hospitais e casas de repouso, longe de nos encher de tristeza e consternação, deveria nos encher de orgulho e satisfação pois estamos presenciando uma vida que foi infantil e se divertiu, cresceu e procriou um semelhante, e contribuiu para as emoções, boas ou más, de diversos outros semelhantes. Por isso, em verdade vos digo: Vida longa às Ruínas...
ResponderExcluirJorge Luiz,
ResponderExcluirA ruína humana é que me causa espécie. Aí tenho uma percepção diferente da sua. Seria mais condizente que o lapso de tempo vivido tivesse seu término, antes da ruína física.
Pois em verdade vos digo: Vida longa às pessoas e o seu término, antes das Ruínas.
Forte abraço
Excelente texto!
ResponderExcluirTriste, intenso e pulcro!