terça-feira, 18 de agosto de 2009

Protesto para um senador

Enviado em 12/02/2009 - lógico que foi ignorado.

Sr. Senador Mário Couto,

O governo acaba de precificar a vida dos aposentados em 5,92%. Não estabelecerei mais nenhum juízo de valor, pois, o percentual denota de forma cabal e definitiva o limite do ultraje.

Na minha idade provecta, falta-me ânimo e sobram-me doenças, herdadas por uma genética degenerada, que concorre, apenas e tão somente, com a sólida perfídia dos homens públicos desse país.

Não tenho direito à voz, e caso me outorgassem, emprestaria de Breno, general gaulês, a expressão: “vae victis” (‘Ai dos vencidos’).

Lamento Exa., principalmente, por essa legião de desassistidos, pois a atitude da quase totalidade dos parlamentares assemelha-se à dos ladravazes, dos mais sanguinários criminosos. Enfim, comparando-os, somos impelidos, amarguradamente, a concluir:
- são todos do mesmo ofício. Utilizam-se da representação popular como valhacouto às suas condutas marginais.

Quando um jornalista inglês perguntou se era difícil governar os italianos, Mussolini respondeu:
- "Não é difícil. É inútil”. Por extensão, esse é o sentimento que perpassa pelos pensamentos dos brasileiros que, por sorte ou destino, não tiveram seus neurônios destruídos pela fome e hoje, afásicos, não tem o direito de discernirem de forma definitiva:
- o parlamento brasileiro, além de inútil, é venal e fratricida.

Idêntico aos mercadores da fé que vendem deus, através das concessões públicas (rádios e televisões) – que país! - e dos templos, espoliando os famintos de esperança – pasme! – as seculares sacolas de coleta de metais perdem espaço para as famigeradas maquininhas de crédito - os parlamentares avocam o vocábulo democracia sempre com energia excessiva, tanto na gesticulação como na fala, com o eixo comum ao dos mercantes acima, para iludirem, subtraírem os míseros direitos (saúde, educação, etc.) dos deserdados da sorte.

Outrora os fariseus, ao ouvirem uma blasfêmia ou uma profanação da Lei, rasgavam suas vestes em sinal de protesto. Hoje, quem está desnudado é o povo, pela ação dos parlamentares, dignos representantes de seus vis interesses.

Perdi a fé em Deus e nos homens.

Certamente, não preciso escusar-me pelo que redijo, agravado por escrever mal, pois V.Exa. desconhecerá esse arrazoado ou, no máximo, sua assessoria fará uma leitura dinâmica e poderá, de forma protocolar, acusar o recebimento. Respeitosamente, peço que não o façam.

Prefiro manter-me rotulado com a alcunha que o velho bardo grego, Homero, na sua Rapsódia de Ulisses tornou definitiva, e que V.Exa. não desconhece:
- ao embebedar o Ciclope, para fugir da morte, Ulisses teve o cuidado de dizer ao monstro que seu nome era NINGUÉM.

Respeitosamente,

Paulo Roberto Faria de Castro ou, com o “patronímico” imposto (sem ironia) pelo governo, pelo CPF – número tal (logicamente, ao enviar para o aludido senador, declinei o número completo do mesmo).

Crédito: Alan Marques (foto)

4 comentários:

  1. Pai, por que você não vai logo tomar seu lugar no Senado? O Brasil precisa de pessoas como você! Garanto que calaria a boca da maioria desses políticos corruptos.

    ResponderExcluir
  2. Marcus,

    Tinha um personagem na TV, acho que era de um programa humorístico em que o pai falava: "Não exagere, meu garoto". Faço das palavras dele, as minhas.
    Agora os nossos políticos são excrecências. Na décade de 30, do século passado, Osvaldo Aranha cunhou a seguinte frase: " O Brasil é um deserto de homens e de idéias" Sua frase, lastimavelmente, continua atualíssima.

    ResponderExcluir
  3. Concordo com meu irmão. Vamos lançar a campanha: "PAPAI NO SENADO!"
    Além de calar a boca da maioria desses políticos corruptos, proporcionaria uma aposentadoria decente aos que já fazem parte desse quadro e aos que irão fazer parte um dia.

    ResponderExcluir
  4. Paula,
    Falando no terreno das hipóteses, caso uma candidatura houvesse, eu não teria a decepção de um candidato (não se se foi para vereador)que obteve um mísero voto. Nem a mulher dele se dignou a votar nele, imagine os demais famíliares e amigos.
    Tenho certeza absoluta que sairia das urnas com um total de 04 (quatro) votos, a saber: os seus, de sua mãe e o meu (sem qualquer constrangimento).
    Vindo para o mundo real, a esperança que se encontra caquética, é que surja homens dignos para assumir, tais cargos.
    Beijos

    ResponderExcluir